Já dançamos quadrilha,já nos emocionamos com os dias mães, vestimos a fantasia de carnaval, respiramos aliviados porque chegaram as férias de julho,preparamos coração e quase nem dormimos a noite porque já era o dia que antecedia a volta às aulas em agosto e iríamos rever nossos amigos.
Referendamos a prática e tantas outras datas marcaram esses meses,fomos inundados de informações aterrorizantes como ataques a banco,postos policiais e toque de recolher onde o mais importante era mesmo voltar sedo casa.
De repente,já passamos do dia da celebração das crianças,do professor e pronto,estamos diante do natal!...por hora:espera ai Ano novo! Vamos com menos pressa!F ica aqui um convite para agradecermos por tudo o que foi valorizado,conquistado e produzido por nossas crianças em nossos trabalhos sério e afetivo com nossos alunos ou pacientes,mas acima de tudo precisamos refletir sobre um tema que há muito me preocupa: Nossa querida infância ,onde está?
Há tempo venho refletindo sobre isso. Quando uma paciente com dificuldades de aprendizagem,aspectos de fobia escolar,diz de forma manifesta que sente vontade de sentar na calçada nos dias de calor na cidade grande,assim como faz ou fazia há anos nas férias de verão no litoral. Isto nos reporta a uma passagem pelo tempo e nós,de mais de 30 anos,podemos relembrar o quantos andamos de bicicleta na rua sem saída ou em ruas que levantamos à rede para os carros passarem,nos escondíamos para a turma adversária procurar,brincamos de beijo-abraço-aperto de mão quando nossos pais não nos viajavam e e isso tudo na calçada da rua,às vezes até de certa forma tarde da noite em que nossos pais eram incansáveis em gritar que já era hora de entrar,e nós perseverantes em reclamar por mais minutinhos.
Partindo do desejo da paciente,podemos refletir em dias tão perto do natal e das férias de verão,onde brinca a infância depois que volta ou antes de ir para a escola ou quando ficam em férias?Brinca nos condomínios fechados e monitorados,aquelas crianças que moram em um é claro brincam e 'exercitam" seu corpo e sua mente,diante dos jogos eletrônicos ou de internetes e redes sociais,brincam de se comunicar,de se tocar,de gargalhar,de chorar,de se conhecer,de amar e desistir pelo MSN,mas será o bastante?
Compreendo que tempos mudaram,que temos muito mais opções tecnológicas,por exemplo,o celular passou a economizar o tempo que precisávamos para descer do carro e retornar a chamada do bip,mas também gerou mais tempo para trabalharmos,planejarmos e assim temos menos tempo para coisas tão importantes como neste caso brincar ou simplesmente refletir como está o brincar desta atual infância.
Que possamos juntos renovar nossas esperanças,unir nossas experiências passadas com os avanços da globalização do presente e construir uma infância cada vez melhor no futuro que priorize o brincar no sentido lúdico e de trocar psicoafetiva de nossos filhos ,netos,sobrinhos,pacientes e alunos.
